Não sabia bem que idéia tinha feito dele, mas, como Felicity o odiava tanto e falava dele com tanto desprezo, esperava ver alguém magro, mesquinho e com um rosto cruel.
Em vez disso, o homem que vinha ao seu encontro era alto, elegante, extremamente bonito e muito bem vestido. As roupas lhe caíam com naturalidade, como uma segunda pele, e Carmela achou que ficaria ainda melhor em um uniforme.
Mas assim que o conde se aproximou e ela viu o olhar penetrante e crítico, achou que, afinal de contas, talvez estivesse diante do ogro que esperava e que Felicity havia descrito.
— Estou encantado em vê-la, prima Felicity. Carmela fez uma pequena reverência e estendeu-lhe a mão. Quando o conde a pegou, sentiu a firmeza de seus dedos e teve a sensação desconfortável de que a estava prendendo e que nunca mais conseguiria fugir.
— Fez boa viagem?
— Sim, obrigada. Seus cavalos eram rápidos e não demoramos muito.
— Sente-se. Quer tomar um refresco?
— Não, obrigada.
— O almoço deve estar pronto daqui a pouco. Tenho certeza de que quer ir dar uma volta, para rever este lugar que não vê há tantos anos.
— Sim, é claro.
Tímida, não tinha coragem de olhar para o conde. Mas sabia que os olhos dele estavam fixos em seu rosto e pareciam penetrar em seu íntimo, como se ele suspeitasse de que ela não era quem fingia ser.
Afastou a idéia, sentindo-se ridícula.



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.