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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Agatha Christie - Sócios no crime


A moça vestida de Dama de Copas estava sentada a um canto, encostada na parede, como que enroscada sobre si mesma. Através da máscara olhou-os fixamente mas não se moveu. No vestido branco e vermelho, a estamparia do lado esquerdo parecia um tanto borrada. Havia mais vermelho do que deveria... Banal? Corriqueiro? Nada de mais? Ao menos para o comum dos mortais, sim. Não, porém, para Agatha Christie. Pois é a partir de fatos assim mínimos, irrisórios, só em sua mais evidente aparência comuns, que Agatha Christie, ainda uma vez, põe em execução todo o seu talento, sua inesgotável capacidade de criar situações extraordinárias em meio aos acontecimentos mais óbvios, e cria estes incríveis Sócios no Crime, que pela primeira vez a Nova Fronteira edita em português.
Tommy Beresford está com problemas de saúde. Sugerem-lhe uma licença do trabalho por seis meses. O que fazer, como distrair-se, divertir-se? Tommy Beresford e Tuppence, sua mulher, transformam-se em nada mais nada menos do que detetives da Agência Theodore Blunt. E metem-se na mais inacreditável série de aventuras. E se dão ao luxo de, para cada caso a ser solucionado, usar o estilo de um grande detetive. Imitam à perfeição as artimanhas do Padre Brown, a inteligência bem humorada, irônica e a vasta cultura de Sherlock Holmes, e a inigualável finura do genial Hercule Poirot. Agatha Christie limita-se a, habilidosa e despreocupadamente, acompanhar os mais ingentes esforços desse casal em mostrar-se digno do anúncio da Agência Theodore Blunt: “Detetives: brilhantes! Resolve-se qualquer caso em apenas 24 horas!”

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